"As 'grandes causas' são um espantoso conforto para não se olhar para dentro e para se fugir de si próprio. Isto não é fácil de dizer, mas é inteiramente assim. Ou seja, a dedicação completa a uma causa é muitas vezes a contraparte de uma enorme dificuldade em conseguir viver os detalhes."
Miguel Portas, em entrevista ao Expresso.
Se o Miguel Portas não tivesse morrido tinha-me passado despercebida esta interessante entrevista, no meio do mar de informação que inunda os dias. Certeiro. A dedicação a causas é muitas vezes reveladora de um profundo egoísmo, uma enorme necessidade de afirmação pessoal. Como o é o apego aos bens materiais, a necessidade de luxo e ostentação. Duas faces da mesma moeda. Cinzenta, como a natureza humana prisioneira de si própria.
A liberdade começa e acaba aqui.
Mas não são as causas que tornam o mundo um lugar melhor? Os grandes ideais? As grandes revoluções? Ou será que até hoje o mundo nunca se tornou um lugar verdadeiramente melhor, apesar de todas as causas?
Provavelmente não. Nem mais justo, nem mais verde. Nem mais livre.
A resposta tem que estar em outro lado. Dela dependerá a sobrevivência do mundo tal como o conhecemos. Ou não.
Se o Miguel Portas não tivesse morrido tinha-me passado despercebida esta interessante entrevista, no meio do mar de informação que inunda os dias. Certeiro. A dedicação a causas é muitas vezes reveladora de um profundo egoísmo, uma enorme necessidade de afirmação pessoal. Como o é o apego aos bens materiais, a necessidade de luxo e ostentação. Duas faces da mesma moeda. Cinzenta, como a natureza humana prisioneira de si própria.
A liberdade começa e acaba aqui.
Mas não são as causas que tornam o mundo um lugar melhor? Os grandes ideais? As grandes revoluções? Ou será que até hoje o mundo nunca se tornou um lugar verdadeiramente melhor, apesar de todas as causas?
Provavelmente não. Nem mais justo, nem mais verde. Nem mais livre.
A resposta tem que estar em outro lado. Dela dependerá a sobrevivência do mundo tal como o conhecemos. Ou não.
7 comentários:
Incrível, mas quão difícil é achar uma boa causa, tanto ou mais como defendé-la.
Tudo depende do 'what moves me' ;)
Em relação à resposta vou pensar no teu caso.
Um homem de várias causas: ainda bem. Deles se faz o mundo que queremos melhor. Grão a grão, botão a botão. Mesmo depois de terem morrido deixam o seu perfume de terra amad.
Bjinho
Um homem que se encontrou para além das causas :)
Já me tinha esquecido que tinha feito estes posts :)
Na realidade quase me tinha esquecido que tenho este blog...
É favor não esquecer. Os blogs podem ser e alguns são, a cara da gente...
Mesmo que só alguns os vejam, gostam de sorrir e dizer olá. Os endereços e ligações ficaram, Teresa, anos.
Tipo: vou ver a agenda e escrever postais de natal a todos os que conheci.
Bjinhos
Sim, pelas pessoas que aqui vêm, sim. Confesso que essa é a parte da preguiça. Pelas pessoas este blog pode voltar a ser uma divação pelas literais cores da terra, foi quase assim que começou. Como o outro, ou os outros que entretanto fui abrindo e ficaram parados.
Quanto ao resto, há muito que sinto que é demasiado tarde. Há 3 anos que deixei de ter vontade, porque percebi que era demasiado tarde. Agora vamos todos ter que passar por um túnel muito estreito e perigoso. Nada do que nós digamos faz a mínima diferença. Pelo menos em sítios como este. O que fazemos sim, faz sempre a diferença, e mesmo que seja pouca já vale a pena. Mas as palavras, os discursos valem muito pouco. E na realidade apetece-me o silêncio. E as cores, sem palavras :)
Beijinhos! E obrigada :)
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