terça-feira, março 27, 2012

'Going home'

Este blog está parado. Não foi exactamente por preguiça ou falta de tempo que parou. Embora a falta de tempo tenha sido quse uma constante nestes últimos tempos. Muito mais contribuiu a falta de vontade de escrever. O panorama não é inspirador. A recente crise financeira é a ponta de um iceberg que há muito se previa que ia aparecer. A especulação financeira, a turbulência que arrastou países como o nosso para a crise, apenas anteciparam uma outra crise inevitável, e mais profunda, para a qual ninguém se preparou: o colapso resultante do esgotamento dos combustíveis fósseis, e de outros recursos não renováveis, os problemas ambientais crescentes resultantes de um sistema insustentável a vários níveis.

Precisávamos fazer uma transição para a era pós petróleo, para um sistema sustentável que, à semelhança da natureza, utilizasse apenas recursos renováveis, e reciclasse todos os seus resíduos. Um sistema que corrigisse os imensos desiquilíbrios causados pela folia do último século.

Não o fizemos a tempo. As experiências que existem são pouco significativas e não se generalizaram o suficiente para que a sociedade como um todo fizesse uma transição pacífica para um novo sistema. Pese embora que agitação social que se vive se deve em parte a sistemas de governação incompetentes, coniventes e geradores de injustiças, ela seria inevitável, mais tarde ou mais cedo, enquanto se insistisse num modelo que assenta no crescimento do consumo de recursos não renováveis. E é esse o modelo global que continua a vigorar. Mesmo as experiências piloto que vão surgindo por esse mundo fora, também em Portugal, são dependentes do mesmo sistema global.

Continuam a ser inevitáveis os conflitos, as convulsões, o agravamento dos problemas ambientais. Enquanto não existir uma consciência e uma vontade colectivas de mudar profundamente o sistema, resta-nos assistir como espectadores a mudanças convulsivas, turbulentas, geradoras de injustiças e sofrimento imprevisíveis.

Não acredito em revoluções. Não acredito em soluções violentas. Situações de turbulência, desiquilíbrio e confusão, são o campo fértil para os oportunistas, demagogos e falsos salvadores, vindos frequentemente dos vários extremos políticos obsoletos, que foram incapazes de encontrar soluções ao longo das últimas décadas ou séculos. E no entanto parece ser isso que nos espera. É difícil encontrar orientação neste panorama. Individual e colectivamente.

Mas também é verdade que apenas os grandes desafios produzem mudanças efectivas.
"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu".
Resta-nos portanto procurar o caminho de volta a casa...


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