Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

No meu estranho país...

...isto...
...é considerado mais bonito do que isto. Infelizmente a árvore do link, fotografada pelo Pedro do Sombra Verde levou o mesmo destino desta. Só nos resta partilhar da indignação e perguntar até quando, citando o Dias sem árvores, vamos ser um país pequeno, de árvores e mentalidades pequenas.
Posted by Picasa
Another stupid mutilation of a beautiful tree, as we are already used to in our strange country. You can read about it here, or its translation here. This Silver Lime tree will probably end up like the one in my photo, if it will survive.

13 comments:

Esteva disse...

Pois a mim cheira-me que essa pequenez está nos genes, só a alteração dos mesmos poderá resolver este (e muitos outros) problemas... Apesar disso, temos de continuar a reclamar árvores em todos os lados e de todos os temanhos. Porque, apesar de não parecer muito, eu acredito que "the times are a-changing" :)

Jardineira aprendiz disse...

Então estamos a precisar de mutações, e se possível urgentemente nos cérebros dos nossos autarcas, caso contrário em pouco tempo não teremos neste país árvores dignas desse nome para contemplar :)

Eu também acredito que os tempos estão a mudar, mas muito lentamente, e a facilidade com que se liga uma motosserra faz com que essa mudança pareça mesmo muito lenta. Dá a impressão que antes que as pessoas acordem todas as árvores que se prezam serão cortadas. E, embora eu não seja muito de reclamações, manifestações e coisas do género, quando vejo coisas destas dá-me vontade de gritar. Quem sabe alguém com responsabilidade nestas coisas ouve. (O nosso autarca local ouviu bastante por causa da árvore da foto, mas eu fiquei com a sensação que caiu em saco roto. Enfim...)

Mofina Mendes disse...

Sabes que as árvores no Sardão vão ser cortadas porque os ramos são um perigo para as pessoas?

Pequete disse...

Também nunca percebi esta obsessão mutiladora de árvores que assola a maior parte dos municípios. E acho que o mais eficaz, nestes casos, é escrever cartas, enviar e-mails, chatear, chatear, chatear. É a única linguagem que eles conhecem e em última análise, se começarem a aparecer muitos munícipes descontentes, pode ser que as coisas comecem a mudar - afinal, há que pensar no voto para as próximas eleições.

Jardineira aprendiz disse...

Isso é mesmo verdade Mofina? Pensei que era só um grupo de chatos a fazer pressão, sabe-se lá porquê, ou melhor, porque há gente que parece que não pode ver árvores. Não sei quais são as razões técnicas, mas as árvores parecem-me saudáveis, de forma alguma parecem estar em risco de cair. Quase me lembra uma pessoa que conheço que tem um ódio de morte a um sobreiro num terreno vizinho simplesmente porque as folhas lhe sujam os passeios.

Como diz a Pequete, é tempo de fazer barulho.

Crix disse...

Pois eu também não estou nada optimista. Tenho a sensação que existem dois mundos muito distantes: este aqui, da blogosfera, onde todos respeitamos as árvores (e que deve ser muito pequeno) e o mundo lá fora (muito maior)que acha bem e pede que se façam as podas. Não são só os políticos, é o próprio cidadão comum que pede porque a árvore está a fazer-lhe sombra, ou a sujar o quintal com folhas. O que está mal é a classe política não ter uma formação um pouco mais á frente do cidadão comum, para que assim actue educativamente.

Menina_marota disse...

Infelizmente, esse é um mal que está a acontecer um pouco por todo o lado...e por mais que protesemos, ninguém nos dá ouvidos...

Um abraço solidário :((

Jardineira aprendiz disse...

É Crix, isso é uma parte importante do problema, quando foi desta árvore, no ano passado, acho que só eu é que protestei com o presidente da junta, e pelo que ouvi, várias pessoas acharam muito bem. E os blogues funcionam muito em circuito fechado, as pessoas que os visitam é porque já têm afinidades com eles, aqueles que gostaríamos de convencer não vêm cá.

Obrigada Menina Marota, em relação às àrvores desta vez a perda foi para os lados da serra da Estrela, mas nesta época certamente que vai sendo um pouco por todo o lado, e só nos apercebemos quando vemos as árvores no chão.

bettips disse...

Temos que ver o avesso das coisas: estas pessoas não servem, são contra-natura. Mudam-se!
Como diz a Crix, falta educação cívica, esclarecimento, carácter, a partir de cima.
Como está o jardim? Viçoso?
Está a dar-me vontade de ir por aí abaixo...
Bjinhos

Jardineira aprendiz disse...

Amiga, o problema é que não há por onde mudar. O jardim está a ficar, na razão inversamente proporcional às costas rs rs!

Venham!

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Obrigado pela referência (mais uma vez...)

Já nem sei que diga acerca deste problema sem me repetir pela centésima vez...

Em primeiro lugar existe um problema cultural: os portugueses estão mais ricos em bens materiais (carros, telemóveis, "roupas de marca", óculos de sol, etc.) mas em termos de "educação cívica" parece-me que não só não evoluímos, como até temos regredido. Não nos enganemos, os que separamos os resíduos, gostamos de árvores e não mal tratamos os animais somos uma minoria.

Continuamos a abandonar os animais quando se tornam uma "maçada" (alguns até o fazem com os idosos!), atiramos lixo pelas janelas dos automóveis (felizmente as dos comboios já não abrem), vamos deitar os restos das obras em casa às redondezas; ou seja, no fundo sujamos qualquer sítio por onde passemos.

Não podemos pedir a este povo que respeite uma árvore, quando se sabe dos "incómodos" que acarretam: tapam as "vistas" para a marquise do vizinho; as folhas entopem as sarjetas; atraem a passarada e logo toda a porcaria que eles fazem e que sujam o tejadilho do carro desportivo alemão que, ainda que importado, serve para fazer um "brilharete" diante dos vizinhos. Sejamos sinceros: "as árvores só incomodam!"
Ainda por cima contamos com o beneplácito dos nossos autarcas que, à menor queixa e com medo de perder um voto, mandam logo decepar uma árvore que esteja a "incomodar".

Ainda por cima, por estarem habituados a este hábito desde pequeninos, 99% dos portugueses acha esta prática "normal" e até imprescindível e benéfica para as árvores.

Resumindo: temos um longo caminho pela frente para mudar a mentalidade dos portugueses.

Porque só se ama o que se conhece, acho que um dos caminhos possíveis é dar a conhecer as árvores monumentais que nos restam.
Pode ser que desta forma os portugueses entendam que as árvores não têm que acabar como cepos e que, lá porque se tornam altas, não têm que necessariamente cair quando o vento sopra com um pouco mais de força.
Se assim fosse, há muito que as sequóias da Califórnia cá não estariam!

Jardineira aprendiz disse...

É Pedro, mas um dia vamos perceber que não são estas coisas (carros, teleóveis, etc) que nos fazem mais ricos. Só que demora. E para já é uma questão de educação. E eu espero que haja nas escolas muitos professores como tu, embora tenha algumas dúvidas. Hoje em dia as pessoas estão a perder o entusiasmo e a motivação.

joserui disse...

"Somos um povo pequeno, de mentalidade pequena, num país pequeno, com cidades pequenas e árvores pequenas." Acho que sou eu o citado e infelizmente, sempre verdadeiro. -- JRF