Domingo, Abril 26, 2009

Tudo neste mundo tem seu tempo

Há um tempo para nascer, e tempo para morrer;
tempo para plantar, e tempo para arrancar;
tempo para matar, e tempo para curar;
tempo para destruir, e tempo para construir.


Terça-feira, Abril 07, 2009

Os jardins naturais

Para quem se passeia por locais como a Serra de Aire e Candeeiros, pode pensar que se encontra num jardim, tal é a profusão de cor. Todas as plantas fotografadas crescem espontâneamente.

A walk in a place like Serra de Aire e Candeeiros, in the next slideshow, makes us believe to be at a huge garden. All photos were taken in the wild.



Para a identificação das plantas, consultar o blog 'As minhas plantas', aqui e aqui.

Para ver as fotos em ecrã completo, clicar aqui.

For plant identification, click here, here and here. For a full screen slideshow click here.


Sexta-feira, Abril 03, 2009

Albina?

Ultimamente não têm sido publicadas por aqui muitas fotos, mas a surpresa de encontrar esta planta, e a vontade de saber mais sobre ela, levou-me a trazê-la para aqui, na esperança de que alguém possa dizer mais sobre ela.

O Echium plantagineum é relativamente comum em Portugal, no entanto, nunca tinha visto exemplares de flores brancas. Desta vez, num campo cheio deles, numa pequena zona, apareceu uma boa meia dúzia. Não é nada de extraordinário, uma vez que por exemplo o Echium vulgare, planta semelhante, aparece de vez em quando na cor branca (ver aqui e aqui). No entanto parece-me uma raridade, e o facto de aparecerem apenas numa pequena zona, ainda mais estranho. Terá a ver com probabilidades genéticas ou com outros factores?







Echium plantagineum is a quite common plant in Portugal, but this white form is rare, and I had never seen it before. In this field, full with the blue Echium there were some white ones, scattered in a small area. Anyone knows why does this happen?

Domingo, Março 29, 2009

Campos de golfe serão sinónimo de riqueza?

A propósito desta triste notícia que a Crix nos trouxe, transcrevo uma passagem do livro "The Dry Gardening Handbook - Plants and practices for a changing climate" - de Olivier Filippi, talvez o viveirista mais conceituado em plantas mediterrânicas, e grande conhecedor da flora dos climas mediterrânicos:

"Sentimos instintivamente que a água traz variedade e luxúria a um jardim, e que a seca restringe as nossas possibilidades de jardinagem. No entanto a verdade é exactamente o oposto. A maioria dos jardineiros não tem consciência que a flora natural das regiões de clima mediterrânico é bem mais rica do que a das regiões temperadas.

Alguns números ajudam-nos a perspectivar esta diversidade. Em França, por exemplo, mais de 60% das espécies de plantas estão concentradas na zona mediterrânica, embora esta represente apenas uma pequena parte do país. No todo da Europa não mediterrânica, não se encontram mais de 6000 espécies, enquanto que no sul de França, só no departamento Hérault, existem mais de 2000 espécies. A flora da bacia mediterrânica é uma das mais ricas do mundo: crescem aqui 25000 espécies, o que conta por quase 10% da flora mundial."

Como se compreende então, que no nosso país se destrua a riqueza botânica para construir desertos de duas ou três espécies de relvado, que consomem quantidades astronómicas de água, herbicidas, fungicidas, insecticidas, para manter à força um ecossistema super simplificado que não tem absolutamente nada a ver com as nossas condições?


Thinking on Crix's sad story about golf resorts, here is a excerpt from the mediterranean garden expert Olivier Filippi The Dry Gardening Handbook - Plants and practices for a changing climate:


"We feel instinctively that water brings luxuriance and variety, and that dryness restricts our gardening possibilities. Yet exactly the opposite is true. Most gardeners are unaware that the natural flora of mediterranean-climate regions is a lot richer than that of temperate regions.

A few figures will help us to put this diversity into perspective. In France, for example, more than 60% of plant species are concentrated in the Mediterranean zone, although it represents only a very small part of the country. In the whole of non-Mediterranean Europe no more than 6000 species are found, while in the South of France, in the Hérault Department alone, there are more than 2000 species. The flora of the Mediterranean Bassin is one of the richest in the world: 25000 plant species grow here, which amounts to almost 10% of the world's flora."

This makes quite difficult to understand why we easily destroy our natural richness to build golf greens, completely artificial in our climate.

Domingo, Março 22, 2009

Vamos apagar as luzes no próximo sábado?

Também um acto simbólico. É uma acção de impacto reduzido, pelo menos comparando com mudanças que seriam necessárias de forma permanente e constante no dia a dia. Mas, no momento, é um mais que necessário alerta. Ler mais sobre o apelo de Ban Ki-moon aqui.
Earth hour 2009. About Ban Ki-moon urging speach here.








(Obrigada, Edite)

Um exemplo a seguir

Pode ser apenas uma atitude simbólica, e como sabemos frequentemente estas atitudes são apenas fachada. Neste caso quero acreditar que não. Deixando de lado a desconfiança, a minha simpatia pela família que ocupa actualmente a Casa Branca não pára de aumentar: Michelle Obama decidiu arrancar parte do relvado da casa para plantar uma horta biológica. Esta horta, além de alimentar a família presidencial, tem como principal objectivo ser um exemplo pedagógico para crianças e adultos, fomentando o consumo de alimentos produzidos localmente, diminuindo a dependência das grandes explorações agrícolas e da indústria de agroquímicos. A primeira dama pretende que toda a família, incluindo o presidente, ajude a cuidar da horta de vez em quando, por exemplo removendo algumas ervas daninhas... :))


Imagem daqui.

Ler o artigo completo aqui.

Não conheço os jardins do Palácio de Belém, mas será que... ?



Very nice and hopeful news tell us the USA first lady is digging the White House lawn to plant an organic vegetable garden, which means to be a positive example on growing healthy food and consume locally produced vegetables. Read the article in here.

Terça-feira, Março 17, 2009

Utopias

Quando é que no meu pequeno país se vai fazer um festival como este?! (clique na imagem para ir ao site)

I wish some day, in my little country, a festival like this will be possible (click to go to the site)



Um festival cuja inspiração são as árvores, em Dorset, no RU. Do programa constam visitas guiadas a bosques, palestras sobre fotografia de natureza, sobre utilização sustentada da floresta, exposições de arte inspirada em árvores, encontros de poesia e música, etc...


A Tree Festival, at Dorset, in the UK. See the marvelous programme in the site.


I wish I could go...

Domingo, Março 15, 2009

The age of stupid

Why didn't we save ourselves when we had the chance?


Será que um dia vamos fazer esta pergunta, quando já não tivermos a hipótese de recuar? É a pergunta que faz o protagonista do filme que está a estrear dentro de momentos em Londres: The Age of Stupid é a retrospectiva de um homem que vive no ano 2055, depois de se ter passado o ponto em que já não há retorno em relação ao aquecimento global, ponto esse que se sabe hoje estar mais proximo do que se pensava há alguns anos. Ao rever documentários da época actual (2007-2008), ele pergunta-se porque fomos tão estúpidos a ponto de não parar o processo enquanto podíamos.


Uma pergunta urgente para todos nós.

"The Age of Stupid is a 90-minute film about climate change, set in the future, about a man living alone in the devasted world of 2055, looking back at “archive” footage from 2007 and asking: why didn’t we stop climate change when we had the chance?" - Text from The Age of Stupid website. A must see film.




The Age of Stupid: final trailer Feb 2009 from Age of Stupid on Vimeo.

Domingo, Março 08, 2009

Uma novidade!


As peónias já estão em trabalho de parto!!

Peonies are already in birth labor!!
Posted by Picasa

Lembrei-me das fotos de camélias que sempre vou roubando aos meus vizinhos quando vi as belíssimas fotos que a Bettips tirou às camélias jardins Villar d'Allen. Não percam, vão até lá. Ao blog e aos jardins.

These are a few Camellia photos I took from my neighbour's garden. To see a wonderful collection take a look at Bettips photos on the Villar d'Allen gardens, an if possible, visit the gardens.

Sábado, Fevereiro 21, 2009

Não me esqueci delas...



I didn't forget the photos...


(Estas últimas camélias pertencem aos pais do outro)

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Ancient Futures - Learning from Ladakh

O Ladakh é um pequeno território indiano de cultura tibetana situado nos Himalaias, com condições bastante adversas à vida humana. Devido ao seu isolamento, o povo do Ladakh manteve durante séculos um modo de vida tradicional equilibrado, baseado numa relação sustentada com o território e na cultura budista tibetana. Nos anos 70, a abertura à modernização segundo os padrões ocidentais de desenvolvimento, provocou desequilíbrios consideráveis na estrutura social e na relação com o meio, com o aparecimento de todos os 'males' associados às civilizações ocidentais: a sobre-exploração dos recursos naturais, a contaminação do meio ambiente, a alienação cultural e perda de identidade, os conflitos sociais.

Helena Norberg-Hodge chegou ao Ladakh antes desta abertura e testemunhou a evolução, reconhecendo nela todo o processo de desequilíbrio provocado pelo modelo de desenvolvimento ocidental que é hoje um processo global. O exemplo do Ladakh, é no entanto interessante, devido à rapidez com que se desenvolveu este processo, tornando evidentes as falhas, e as relações causa-efeito, que a nível global se tornam difíceis de identificar. Com base na experiência escreveu o livro Ancient Futures - Learning from Ladakh, no qual se baseia este documentário, editado pelo ISEC - International Society for Ecology and Culture, também fundada pela autora.


Este documentário faz uma análise bastante clara de todas as implicações do nosso modo de vida, já que, embora se baseie num processo ocorrido numa cultura específica, não é difícil reconhece-lo na nossa cultura, e em praticamente todas as culturas. Não aponta soluções, mas fornece uma óptica que nos permite questionar e procurar alternativas mais equilibradas na nossa relação com o meio e com a sociedade em geral, seja dentro da nossa cultura, seja em relação a culturas diferentes. Infelizmente só está disponível no Youtube a primeira parte, que faz a descrição do modo de vida tradicional. A segunda parte, que mostra o processo de 'desenvolvimento' e analisa as suas consequências, não só a nível local, mas também a sua generalização a outras culturas, não está disponível.

Existe uma tradução em português, uma edição conjunta da Quercus, da Animar e da Sul. Para mais questões sobre esta edição, e por pura preguiça de averiguar mais, remeto possíveis questões para este bloguer, que tem responsabilidades na tradução do documentário.

A documentary on impact of western development models on a traditional balanced culture - Ladakh. Only the first part of it is available on youtube. For more information visit ISEC - International Society for Ecology and Culture site.










Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Cidadania

I think the problem with humanism is its arrogance and its... hubris. To say that humans are superior to nature or separate from nature, is to deny, or defy, the laws of ecology. Humans have crossed from the first world of nature into the second world of culture, but to say that it is the destiny of humans to control something that is larger than ourselves, to control a system which is larger than ourselves, is to place humans as, basically, gods on this planet.The deep, long range ecology movement sees humans as having very unique qualities, very special qualities. There's nothing in the deep, long range ecology movement that is anti-human, that denigrates humans, either as individuals or as communities or as a species.The critique of modernism and of humanism in the deep, long range ecology movement is that humanism has confused 'bigness' with 'greatness'. Humanists attempt to develop bigger societies, bigger technology, mega-technology, and claim that with bigger technology humans are becoming greater. Greatness, in deep ecology, is cultivated through understanding of humility; that humans are plain citizens, in the words of ecologist Aldo Leopold, plain citizens of natural systems, not lords and masters.

Eu penso que o problema com o humanismo é a sua arrogância. Dizer que os humanos são superiores à natureza, ou separados da natureza, é negar e desafiar as leis da ecologia. Os humanos passaram do primeiro mundo da natureza para o segundo mundo da cultura, mas dizer que o destino do homem é controlar algo que é maior do que nós mesmos, controlar um sistema que é maior do que nós, é colocar os homens, basicamente, no lugar dos deuses deste planeta. O movimento de ecologia profunda, de longo alcance, vê a raça humana como tendo características únicas, características muito especiais. Não há nada nos movimentos de ecologia profunda que seja anti-humano, ou que diminua os humanos, seja como indivíduos, ou considerando as comunidades, ou a espécie.
A crítica ao modernismo e ao humanismo nos movimentos de ecologia profunda, é que o humanismo confundiu grandeza com tamanho. Os humanistas tentam desenvolver sociedades maiores, tecnologia maior, mega-tecnologia, e clamam que, quanto maior for a tecnologia, maior será o homem. A grandeza, na ecologia profunda, é cultivada através da compreensão da humildade; isto é, o ser humano é um mero cidadão, como nas palavras de Aldo Leopold, um mero cidadão dos sistemas naturais, não o senhor e dono.

Sobre as acções de preservação ambiental

... Eh, so that an act was moral for Kant if it, if it accorded with your duty - these are ethical terms, duties and obligations, and so on - so you had a duty and an obligation to do something. And, normally, these would go against your inclination, what it is you wanted to do. So that a moral act was an act which was in accordance with your moral or ethical duty and it ran against what you wanted to do, against your inclinations. Now what Naess has tried to do, is to shift the whole ground away from ethics, as we normally understand it in the Western ethical tradition, or Western philosophical tradition, and move moreover to what's called 'ontology', or the nature of reality, so that that becomes the ground. Now, through spiritual development, or psychological development, as we move away from the ego, and then we start to identify with other humans, and then we identify with animals and plants and the ecosystems; when we actually identify with them, this becomes part of our being: we see ourselves in these other creatures, in humans and so on. Then he shifts it over to ontology.


... Então uma acção era moral para Kant, se estivesse de acordo com o dever - estes são termos éticos, deveres, obrigações, etc – então haveria um dever, uma obrigação para fazer algo. E, normalmente, isto iria contra as inclinações da pessoa, contra o que ela desejava. Portanto uma acção moral seria uma acção que estaria de acordo com o dever moral e ético, mas que contrariaria os desejos e inclinações. O que Naess tentou foi tentar afastar a base dos assuntos da ética, tal como normalmente a entendemos na tradição ética ocidental, ou na tradição filosófica ocidental, e move-los para a chamada ‘ontologia’, ou natureza da realidade, para que isso se torne a base. Então, através do desenvolvimento espiritual ou psicológico, à medida que nos afastamos do ego, e nos começamos a identificar com outros humanos, com animais, plantas e ecossistemas; quando finalmente nos identificamos com eles, eles tornam-se parte do nosso ser: vemo-nos a nós próprios nestas outras criaturas, noutros humanos, etc. Então muda-se para a ontologia.

Now a beautiful act, for Kant, is an act where we act with our inclinations, so that it's what we want to do, so we want to protect the animals, we're not acting against our inclinations. And eh... So Naess then says, OK, what we want, what we want to promote, are beautiful acts as opposed to moral acts, so if our personality, our psychology, is changed, then we'll want do these things. So they won't be a moral act, they will be a beautiful act. They will be coming out of our inclination, what it is that we want to do.

Agora, uma acção bela, para Kant, é aquela que fazemos de acordo com as nossas inclinações, é aquilo que queremos fazer, então se quisermos proteger os animais não estaremos a ir contra as nossas inclinações. Então Naess diz, OK, o que nós queremos, o que queremos promover, são acções belas, em oposição a acções morais, portanto se a nossa psicologia, a nossa personalidade, mudar, nós quereremos fazer estas coisas. Não serão acções morais, serão acções belas. Elas sairão das nossas inclinações, daquilo que queremos fazer.

George Sessions em The Call of the Mountain, documentário referido no post anterior.

George Sessions in The Call of the Mountain


Arne Næss, 1912 - 2009

Documentário sobre a filosofia de Arne Næss, texto completo aqui.